quarta-feira, 4 de abril de 2012

Duas faces de um igual


Foto: Dominique Marcon


Um estojo com possibilidades
o cotidiano e algumas histórias para contar.
Cheiro de onde mora o bom dia
o tijolo que tornou-se lar.

Esta é a solução de quem supera o fracasso:
viver, tampouco pensar alto por ver cada coisa em seu lugar
sentir e não se amedrontar com a bagunça
e cada coisa fora do lugar.

Tudo é tão simples
até passar pela fábrica dos modos e costumes
(crio o que não é meu
para aceitar o que há de mim e se perdeu)
super-homem de carne e osso
esfarela ao som do despertador
suas principais motivações
sendo  heroi demais para ser  tão fraco
como a luz da vela
solitária
onde a claridade repentina
derrete-se
sem o perpetuar.

Homem que não acende ao cotidiano
exerce o controle
ao extrapolar hierarquias
renascendo e crescendo
a cada abuso
sumindo e sumindo
a cada humilhação,
em uníssono rouquidão de apelos
de cegueira em farsa
compromisso baixo do desassossego.

Esta é a mentira dos iguais:
todos voltam para casa
após mais um dia
mais um dia do mesmo dia!

O boa noite é sincero
mas a noite nem sempre é tão boa
e nem sempre boa companheira.

E a fadiga
(sempre e nem sempre ela)
deixa os homens à deriva de momentos
e do relógio
reduzindo a vida.

E entre o comer e o dormir
haverá o desejo que os dias passem mais rápidos
que as horas corram
que jorre sangue
que se mastigue o fruto espúrio
do arrependimento
e nunca me encontrem.
porque eu mesmo nunca me encontrei.

3 comentários:

  1. Volte mesmo, Maria da Fonte.
    Thiago é um grande e delicioso poeta.
    Até agora tudo que li dele me encanta.
    No presente poema, por exemplo, a primeira estrofe me deixa sem palavras; seu último verso (da mesma estrofe), então... está sendo tudo para mim hoje.

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  2. Retribuindo a generosa visita.
    Aqui, palavras tão fortes que me levaram a um lugar tão suave.
    Bonito trabalho.
    Prazer, encantada!

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