quarta-feira, 18 de junho de 2014

Ô


Se eu atrasar
me espere por mais de uma hora.

Enquanto isso
não recolha flores do jardim.
Não gaste as vidas da palavra Amor.

Deixe as flores
o carro na garagem
vista a camiseta branca dos Beatles.
Saia mais cedo do trabalho
leia todos os livros da bolsa
estarei na próxima estação do metro.



Era noite e eu não te conhecia
senão como um anjo
em suas memórias de encontros.

Enquanto eu andar
como um soneto em linha reta
como a curva que guarda distâncias
abrindo a noite que guarda seus beijos
lá estarei.

Quanto te vi
no longo vestido que cadenciava a noite
dando vida a um caminho
que levava do mundo
a espera celeste.

Confia sempre
confia
e me encontra.

Vem
tira o sal das palavras.
Levanta do mar a alegria.
Retira da última estrela
o Amor ao céu
e este então
serei eu.

Continue
do ponto em que a vida lhe fez grande
que deste exato momento
o eixo que separa o mundo
o grande e o perfeito
é diminuir seu frio em meu peito.
O caminhar entre as dúvidas
sua boca, mão e beijos
é paciência e lembrança
de que o Amor
compõe a humildade das coisas.

Naturalidade das horas
não tenha medo da chuva
não se esconda da noite
não faça promessa ao futuro.

Apenas
não tenha medo.

E se eu me atrasar
guardo em mim os muitos encontros
sorrindo.






domingo, 8 de junho de 2014

A precisão de Maio



Pedi uma noite simples
com alguns traços de poesia.

Era Maio,
o mês que todos os santos estão no céu.

Fiz uma fogueira simples
e enquanto a madeira estalava
escrevia meu lamento:
"Como é difícil escrever em mundos mudos".

A única forma de sofrimento é estar parado.
Por isso
caminhei
e fui buscar
a letra que estava em paz no papel.

Do trabalho permitido no Alasca
o gelo conserva
e nutre
sem desigualdades.

Caminhei ao fundo da terra
e sentia sede.
O cantil
a taça de vinho
o silêncio das palavras que trabalham a noite
mostram aos inocentes a esperança
o aroma do mundo para a longevidade.

A tábua que andamos
com equilíbrio pelo vento gelado.
Meus pés são a salvação daqueles versos longos:
Meus pés cabem tantos caminhos!

Continuava a caminhar
e a reciclar meteoros
que são luzes nascentes
buscando paradas.

Já não pensava mais nos egoístas
que são pedras dormente.
Estes que se afundem com seus ódios!
Penso naqueles que estão sozinhos
e os egoístas não deixam voar.

Eles vieram de longe
querem uma classe de privilégios.

Os egoístas me consomem
eu não sei o motivo.
Eles são tiranos da liberdade
pólvora e metal da bala
a sombra dos famintos nas ruas.

Os egoístas falam por todas as coisas.
Eles se ofendem quando o povo sai da desgraça!
A multidão dos egoístas anda armada
tem braços e cães raivosos.
Eles se reúnem em jantares
brindam com o sangue dos trabalhadores
e malditos
eles cantam:
"nunca um homem pode ter
o que nunca teve".

Malditos e coléricos
são julgados na França e Suiça
malditos e coléricos
eles votam
eles voltam.

Era uma manhã simples
despovoada.
Era a precisão de Junho
mostrando que enquanto tomba um homem
a poesia resiste.

Em Maio
todos os santos
e os trabalhadores
estão no céu.



quarta-feira, 4 de junho de 2014

Poema 6


Escrevo
porque invento memórias.
Não se recupera a felicidade
pelo pensamento.

Andemos todos devagar
e sem pressa.
É com o andar simples do carteiro
que a paz encontra o número certo
o lar de cada casa. 

Antes que cada folha caia
um universo já nasceu
e no movimento da queda
o solo espera.

Não condene as horas e os passos.
Quando nascemos
ninguém disse que a desvantagem dos homens
seriam os relógios
tampouco
os ponteiros sabem disso.

Vivemos dando nome e mentira às coisas:
não há maldade no mundo
não há um coração que sofre
não há TDHA nas crianças.

Simplesmente
alguns precisam da mentira porque a vida é boa demais.

A vida é o sorriso secreto de cada coisa.

O tempo da espera não é um tempo preso
como uma fila de banco.
A espera genuína 
são os pés aprendendo a voar.

Por isso nas cidades
as pessoas tem tanto medo de altura. 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um poema para chamar de seu


Todo problema que eu tenho é menor que o mar
a vida é maior que o tempo.

Como eleger memórias sem importância?

Sou mundo e mundos.
Entonação de frases que animam almas
flores como samurais
de leveza e honra.

A beleza como um bom poema
desprevenido de sua falta
esperando o cair da noite
ou o Sol e o seu verão.
É uma nova palavra
que navega pelo rio do desespero
trás a esperança em mim
porque entende o mar.

Apenas consigo andar contigo
de forma lenta.
Você está vestida de festa
sorri como canções amarelas sem muro
e narra o texto da liberdade
em um silêncio vertical.

É o convite para seguir o Norte
e minha fé não cabe numa casa.
Sou mundo e mundos
porque minha alma é maior que o mar.

Navego.
Sou sacerdote do silêncio que me deixou a sós com você
e graças ao esqueleto das palavras
não há distâncias.

" Não percas a tua fé ante as sombras do mundo".
Se hoje houver desistência
amanhã
procure saber o que é o mar.



terça-feira, 27 de maio de 2014

Poema 42


De tudo
somente posso amar-te sem palavras.

Te procurei com o infinito nas costas
com vontade
e a esperança de um rio
alegre de seu destino.

Sem você
eu era noite
em sua escuridão mais pura
e o inverno subterrâneo
não renascia.

Enquanto o céu ardia
eu apenas intuía ser você
o cometa esperado.

Não tinha data
não tinha nome
apenas sabia de você.

Quando te vi
reconheci a compreensão do eterno a cada segundo
a vitória sobre a vida.

Seu silêncio é a ordem de cada coisa em seu lugar
o prazo justo
no Corredor Absoluto.

Seu beijo nasceu em mim
como chuva no deserto em tempos avulsos.
Seus olhos verdes
construíram perfumes em meu caminho:
o destino das Vontades em Perfeição.
Seu beijo é fome da tranquilidade.

A noite são valores
que não se podem perder
e ao dormir
basta um dia cansado
para renovar a fé.

Só o amor penetra nas dúvidas
e depois das estrelas
preferi seu beijo em gotas
com toda calma
e morada da vida.

Por você
faria tudo de novo
com a certeza de te encontrar:
você é o subterrâneo das coisas.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Fôlego



Volta
volta e me encontra.

Ainda que minha única ambição
seja que as mãos se tornem terras avulsas
de perguntas distantes.

Volta
respira.

Você ainda chama meu nome
em um só fôlego.
Eu ainda quero a paz de não ter pressa
o merecimento de uma paixão precária
mas
intensa
sóbria
sem nostalgia.
A mística das cores coloridas em seu corpo
um coração para pulsar o céu.

Volta.
Volta com pele
e calor da manhã azul
sem nome.

Volta
volta e me chama com o fôlego das casas
e do seu rosto na pele do Sol.

Volta.
Volta que eu sou o céu da janela
e você ainda me chama com o eco da sua língua doce.
Seu gosto é a ressurreição da Terra
voz
e esgrima dos homens.

Quarto escuro do Paraíso
de onde você me chama
não há mais órfãos.

Volta.
Volta e come o fruto maduro:
o que move a Terra
é ressuscitar a escuridão.

Volta
e em um só fôlego
vive:
um dia o mundo será nós.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Poema de nada


Não insisto quanto às coisas abandonadas.
O amanhã nos alcançará
infalível.

Um novo caminho regula a poesia
antes do 1º verso
ainda.

Guarda a noite antes do mistério
porque o que fala:
silêncio.